quarta-feira, 30 de maio de 2012

Cemitério a Beira-Mar

                         
                                       Homem liberto, hás de estar sempre aos pés do mar!
                                                            Charles Baudelaire

*** 
Orla banhada pelo inquieto oceano, 
  Mortifica-nos as vigas aterradas,
  Sem espaço p'ra um temor diáfano,
  Nas sepulturas tão bem escondidas.

  E lá se vê; imagens estendidas,
  Os terços e as epígrafes, entorno...
  Mal sente as rezas, vozes esquecidas,
  Lá sepultadas, queixas de transtorno.
 
  São, findas almas, pela alva escuma,
  Segregando segredos, d'agra morte,
  E não se sonda-os, pois algo se abruma...

  Ao fascinado filho de mais um século,
  Fitar lhe resta d'um duro combate,
  Travado pelo aflito pai em seu túmulo.
***
Felipe Valle
* Versos decassílabos no ritmo Heroico (6ª e 10ª).


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